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12/10/24

Waldemar Belisário ganha destaque na Revista Raízes, da Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul

Por Edson Souza / Arquivo Ilhabela®
Colaborou Maria de Lourdes Pires de Barros
Agradecimentos a Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul

Waldemar Belisário

A equipe do Arquivo Ilhabela® recebeu o contato de Maria de Lourdes Pires de Barros, residente em São Caetano do Sul, que estava em busca de informações sobre o artista plástico em ascensão, “Waldemar Belisário”. Ela mencionou que o artista teve uma breve passagem pela atual cidade de São Caetano do Sul, onde viveram membros de sua família.

Maria de Lourdes compartilhou conosco que um dos irmãos de seu avô (Felice) era cunhado de Belisário. O artista tinha o hábito de vender suas telas para conhecidos na região. Por conta disso, dois quadros pintados por Waldemar fazem parte do acervo da família de Maria de Lourdes — Aproveitamos a oportunidade para expressar nossa gratidão a Maria pelo compartilhamento das imagens com nosso projeto em Ilhabela, SP.

26/02/23

Arquivo de Waldemar Belisário

Waldemar Belisário chegou à ilha em 1929 e hospedou-se no extinto “Hotel Bela Vista” da Vila. Em 1933 comprou um sítio na Baía dos Castelhanos, onde conheceu a professora Celina Guimarães Pellizzari, com quem se casou… Celina é a autora do hino oficial de Ilhabela.

Celina e Waldemar deixaram a ilha em 1942 devido a problemas de saúde e só retornaram em 1961, para morar na região do Perequê em Ilhabela. Belisário morreu em 1983 e uma escola no bairro do Itaquanduba foi batizada em sua homenagem, fundada em oito de dezembro de 1983.

Foi neste ano, durante a sétima exposição de artes de Ilhabela, organizada por Iracema França Lopes Corrêa, no Hotel Itapemar, que o salão recebeu o nome de “Waldemar Belisário”. O “centro cultural” da Vila, também leva o nome do artista plástico.

Ressaltamos que um dos quadros de Waldemar “Congada” foi o responsável pela visita de Mário de Andrade e Heitor Villa-Lobos ao Arquipélago de Ilhabela. Os poetas escritores admiraram a presença da congada na tela em cores vivas e aceitaram o convite de Belisário para assistir a uma apresentação da dança na ilha.

A equipe do Arquivo Ilhabela organizou o material digital de seu acervo com o objetivo de preservar suas memórias. O banco de dados dos artistas “Waldemar e Celina” incluem: os álbuns de fotografias, cartas, folhetos, desenhos, certificados e informações históricas detalhadas sobre suas vidas.

16/03/20

Waldemar Belisário

Texto: Edson Souza

Belisário na Fazenda Engenho d'Água em Ilhabela. 

Em 20 de setembro de 1895, nascia na cidade de São Paulo o renomado artista plástico Waldemar Belisário, irmão de criação de Tarsila do Amaral (esposa de Oswald de Andrade).

Aos 34 anos, Belisário comentou com o seu amigo Martins Fontes: “Estou meio aborrecido aqui em São Paulo, quero me aventurar para ir pintar búfalos e índios no Marajó”… Em resposta, aconselhou-o amigo: — Não faça isso. Vá para Villa Bella (Ilhabela). Você vai gostar muito, lá sim vale a pena pintar.

Fontes explicou a Belisário tudo o que ele precisava saber sobre a Ilha de São Sebastião, localizada no litoral norte da grande São Paulo. Ciente de que a viagem seria sofrida. Belisário não poupou esforços, preparou toda a bagagem e partiu de São Paulo rumo ao porto da cidade de Santos, onde embarcou no navio “Aspirante Nascimento”, que o levaria o mais próximo possível da tão retratada ilha.

Horas de viagem e as âncoras do ‘Aspirante Nascimento’ tocam ao fundo do canal de Toque-Toque, este que separa (ou une?), Ilhabela e o continente. A precariedade naquele tempo era notória. Uma canoa de voga era esperada pelo navio parado ao largo do canal, para que os passageiros pudessem completar a viagem. Logo, esta deixaria o renomado artista no pontão de madeira da antiga vila… Belisário seguiu pelas ruas de terra do lugarejo, até chegar ao ‘Hotel Bela Vista’, propriedade do italiano Francisco Fazzini.

O artista pincelou a ilha no final do século XX, criando quadros que falavam da simplicidade de Ilhabela e da quietude de seu povoado. Traduzindo culturalmente as cores vivas da natureza; a fé e a devoção a São Benedito. Pincelou das canoas de voga aos carros de boi… Nada o incomodava, nem mesmo a agitação da grande São Paulo. Tudo havia ficado para trás.

Encantado com as riquezas e a exuberância da ilha, Belisário resolveu ficar na cidade, comprando uma casa de pau a pique na região da Praia dos Castelhanos, cuja face é voltada para o mar aberto. Nesta tradicional comunidade caiçara, administrou seu sítio, onde cultivava a plantação de bananas e a criação de animais. O isolamento inspirava o artista que passou a confeccionar seus quadros pintados com a alma e muita paixão.

Um deles, “Ensaio da Congada” foi responsável pela vinda de Mario de Andrade e Heitor Villa-Lobos ao arquipélago de Ilhabela. Os poetas escritores admiraram a existência da congada em cores vivas na tela e não pensaram duas vezes em aceitar o convite do renomado artista para assistirem a uma apresentação da congada na ilha.

Waldemar Belisário e Celina Guimarães Pellizzari
Acervo: Waldemar Belisário 

Em 1934, uma canoa de voga trouxe para as terras dos Castelhanos uma jovem paulista, cujo nome era Celina Guimarães Pellizzari. Recém-formada pelo instituto Mackenzie de São Paulo, a jovem cativou o coração do artista Waldemar Belisário. Logo o artista e a professora começaram a namorar. Celina lecionou para as crianças da comunidade dos Castelhanos.

Foi em 24 de dezembro de 1937, véspera de natal, que Celina Guimarães Pellizzari, autora do hino oficial de Ilhabela, casou-se com o renomado artista. A comunhão se deu no município de Villa Bella (Ilhabela), no cartório de paz “Tomaz Bento Barbosa”, onde fora registrado a união civil do casal.

Já em 1942, devido à malária, Waldemar e Celina deixaram o município de Ilhabela. Desta vez, viajando com veículo próprio, que fora comprado com o dinheiro da venda do sítio nos Castelhanos. Passaram a viver no Cambuci e na cidade Ademar em São Paulo. Nesse tempo, ele passou a lecionar desenho nas escolas paulistas, confeccionava quadros, frequentando espaços artísticos e exposições em galerias de arte.

Em 1961, o casal adquire uma casa no bairro do Perequê, retornando definitivamente para a cidade de Ilhabela. Waldemar Belisário faleceu no ano de 1983, com 88 anos. Está sepultado no Cemitério Municipal de Ilhabela.